Goiana e Igarassu

GOIANA

HISTÓRICO

Goiana encontra-se localizada no extremo norte da região metropolitana do Recife, fazendo divisa ainda com a região metropolitana de João Pessoa. O município está situado no litoral, a 62 km do Recife e a 51 km da capital paraibana. O território onde se encontra o município de Goiana foi inicialmente habitado pelos índios caetés e potiguares. Os primeiros colonizadores chegaram, provavelmente, em 1534 e instalaram a povoação no vale do rio Goiana (formado pela confluência dos rios Capibaribe-Mirim e Tracunhaém), esta fazia parte da Capitania de Itamaracá, permanecendo como segunda cidade mais importante do estado, até o fim do período colonial. Vários engenhos foram fundados em Goiana, e antes da invasão holandesa já contabilizavam doze, exercendo influência na vida econômica e no seu povoamento.

Goiana foi a freguesia que mais prosperou, tanto que, por alguns períodos, foi a sede da capitania de Itamaracá. Adquiriu em 1685 o status de vila, e somente em 1862, foi elevada à categoria de cidade, posicionando-a como um dos aglomerados mais prósperos na época colonial e no império, credenciando-a como a segunda cidade da então Província de Pernambuco em importância, somente ultrapassada por sua capital.

Goiana foi território de implantação de uma importante fábrica têxtil no início do século XX, bem como sua vila operária, próximas ao Rio Goiana e ao então porto fluvial, instalado para escoamento de produtos e matérias-primas, principalmente o pau-brasil. O porto foi um dos principais elementos estruturadores da ocupação urbana e direcionou o traçado urbano inicial. O crescimento urbano também ocorreu principalmente ao redor dos edifícios religiosos. 

No sítio histórico, que possui um processo de tombamento ainda em análise pelo Iphan, predominam as edificações de uso residencial e, em menor número, de uso comercial, próximas principalmente da Igreja da Misericórdia, apresentando diversidade tipológica, com edificações predominantemente de um e dois pavimentos. O conjunto arquitetônico possui uma diversidade tipológica característica dos séculos XVII ao XX. As construções religiosas tombadas pelo Iphan isoladamentes, expressam o apogeu da economia da cidade e ainda são elementos simbólicos para a população e signos marcantes na paisagem urbana.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vem desenvolvendo, desde 2010, um estudo e proposta de tombamento do Conjunto Urbanístico e Paisagístico da cidade de Goiana, que ainda passa por análise por parte da instituição. Além deste, existe ainda o processo de tombamento que se refere ao Conjunto Habitacional Operário. A Igreja de São Lourenço de Tejucupapo, localizada no Povoado de Tejucupapo, é o único bem tombado em nível estadual no município de Goiana. Passa por análise, ainda, o processo de tombamento da Vila do Baldo do Rio, pela Fundarpe. 

A proteção no nível municipal baseia-se no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Goiana, que é responsável pela promoção e proteção do patrimônio ambiental, este abarcando o cultural e o natural. No plano diretor são definidos as Zonas Especiais, estas divididas em: Zonas Especiais de Preservação Cultural – ZEPC; Zonas Especiais de Preservação Histórico-Cultural e Monumental – ZEPHM; Zonas Especiais de Preservação da Paisagem Histórica e Cultural – ZEPP; Zonas Especiais de Proteção Ambiental – ZEPA; Zona Especial de Promoção ao Turismo e Lazer – ZEPTL e as Zonas Especiais de Urbanização – ZESPU.

As ZEPC (Zonas Especiais de Preservação Cultural) tem por finalidade a proteção histórico-cultural rigorosa e a preservação da paisagem natural e construída, suas escalas e visadas históricas e a melhoria e conservação do casario e dos monumentos históricos. O centro histórico de Goiana está inserido nas Zonas Especiais de Preservação Histórica e Cultural Monumental – ZEPHM. Assim como, nas Zonas Especiais de Preservação da Paisagem Histórica e Cultural – ZEPP, que incluem também as imediações do monumento às heroínas de Tejucupapo, e os morros que permitem visadas históricas da paisagem municipal. As ZEPP são caracterizadas pela presença de visadas históricas da paisagem municipal e dos elementos histórico-culturais importantes, têm a função proteger e preservar as características histórico-culturais e paisagísticas existentes na APA.

Destacam-se, além das zonas municipais, os Bens Integrantes do Patrimônio Ambiental e Cultural de Goiana, que somam 153 (cento e cinquenta e três) bens inseridos no Núcleo Histórico de Goiana e 33 (trinta e três) bens que se localizam fora do Núcleo Histórico.

IGARASSU

HISTÓRICO

Situado na zona norte da região metropolitana do Recife, a 28 km da capital pernambucana, o município de Igarassu, encontrava-se, no século XVI, ocupado por tribos indígenas, sobretudo pelos índios Caetés. As primeiras evidências da presença dos portugueses no atual território datam de, aproximadamente 1512. Em 1516, foi implantada a Feitoria de Pernambuco em local hoje conhecido por Sítio dos Marcos, pois nesta área posteriormente foram fincados os marcos de pedra divisórios das Capitanias de Itamaracá e de Pernambuco. Em vinte e sete de setembro de 1535, após vitória dos portugueses, liderada pelo Capitão Afonso Gonçalves, sob os Índios Caetés, fundou-se Igarassu, sendo construída sua matriz em homenagem aos santos protetores na batalha contra os índios, os Santos Cosme e Damião. 

Erguida em 1535, a Igreja dos Santos Cosme e Damião é uma das igrejas mais antigas ainda remanescentes no Brasil. Construída no alto de uma colina, localizada próxima a um dos principais acessos ao sítio histórico, possui estilo maneirista, com frontão triangular e dois nichos para abrigar os santos padroeiros. A edificação foi tombada pelo Iphan, através do processo 359-T-45, no Livro do Tombo das Belas Artes e Livro do Tombo Histórico em 25 de maio de 1951. Igarassu é uma cidade colonial que se formou, enquanto núcleo urbano, através dos primeiros propulsores do desenvolvimento econômico, os engenhos, que viriam a ser a “grande rede da indústria do açúcar”. Sobre o dorso da colina, no sentido norte/sul, construíram-se as primeiras edificações que delimitariam a vila. As ruas de São Francisco e Direita da Misericórdia eram o eixo de onde partiriam todas as outras, inclusive a da Ladeira do Livramento.

A povoação foi elevada à categoria de vila em 1564, criando os poderes executivo, legislativo e judiciário e dotando a localidade de autonomia política, administrativa e econômica. Foram erguidas ainda as igrejas da Misericórdia, Santa Cruz e o Convento de Santo Antônio (1588), o terceiro do Brasil e segundo de Pernambuco. O sítio possui conformação urbana com traçado irregular e espontâneo, que resultou em um traçado singelo, harmonioso, e de topografia ondulada, cuja paisagem foi destacada no entorno. As edificações do núcleo urbano são originárias dos séculos XVII e XVIII. Igarassu foi tombada em instancia federal no dia 10 de outubro de 1972 sob o título “Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Cidade de Igarassu”, constante no processo 359-T-45 do Livro Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Além do tombamento do conjunto urbano da cidade de Igarassu, são tombados ainda mais sete bens de forma individual: Capela de São Sebastião; Igreja do Sagrado Coração de Jesus; Igreja Matriz de São Cosme e São Damião; Conjunto Arquitetônico e Paisagístico- Igarassu, PE; Capela de Nossa Senhora do Livramento e Convento e Igreja de Santo Antônio. Além de manifestações do patrimônio imaterial reconhecidas como Frevo e Maracatu.

Em relação a preservação do patrimônio no nível estadual são tombados o Engenho Monjope e a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem do Pasmado, que estão fora do sítio histórico tombado pelo IPHAN. Em âmbito municipal, através da Planta Diretora de Igarassu foi definido, na macrozona Igarassu sede e Cruz de Rebouças (MZ2), as Zonas Especiais de Preservação Histórico-Ambiental – ZEPHA, estas divididas em setores de preservação (SPHA-A; SPHA-B; SPHA-C e SPHA-D), além de Setor de Preservação Histórico-Ambiental Rigorosa – SPHAR e o Setor de Preservação Monumental – SPM. São áreas que contêm elementos representativos da cultura e da história do município. Especificamente em relação ao sítio histórico, este está inserido na zona I, compreendendo o arruamento e o Casario mais antigo do município, que deu origem à cidade. Abrangendo arquitetura religiosa e civil, e ainda o Centro Comercial de Igarassu, além do rico acervo ambiental constituído de remanescente da Mata Atlântica, mangues e estuários.

Essa proteção objetiva a preservação da paisagem natural e construída, suas escalas e visadas históricas, a preservação da morfologia do assentamento, da vegetação existente, além de promover a requalificação dos espaços públicos e a melhoria e conservação do casario e monumentos históricos.