Brejo e Triunfo

BREJO

HISTÓRICO

O município de Brejo da Madre de Deus situa-se na região de desenvolvimento do Agreste Central, distante a 202 km da cidade do Recife. Suas terras estão distribuídas na bacia hidrográfica do rio Capibaribe, implantado em área de brejo, em cota de elevada altitude, com paisagem formada por maciços de serra a sua volta.

Inserido em uma das regiões de povoamento mais antigas do Estado de Pernambuco, Brejo da Madre de Deus conta com mais de 300 anos de história e tem seu primeiro nome (Brejo) proveniente de um vale, formado pelas serras do Prata, do Estrago e do Amaro, e o segundo (Madre de Deus) da evocação pelos Padres Congregados de São Felipe Neri, responsáveis por fundarem um Hospício em 1751, à margem de um riacho. Foram os Padres que também construíram, ainda no século XVIII o centro religioso da Ordem da Congregação do Oratório de São Felipe Neri com sua capela dedicada a São José. A antiga capela é atualmente a Igreja Matriz de São José, sua atual feição corresponde ao ano de 1853, quando foi reconstruída no mesmo local. Já no século XIX o sítio urbano ganha outra igreja, a de Nossa Senhora do Bom Conselho, localizada em uma das poucas áreas planas da cidade.

Há indícios de estabelecimento populacional de índios e negros, nas terras de Brejo desde 1661. Em 1691 é concedida pelo Governador de Pernambuco Marquês de Montebelo, a Manoel da Fonseca Rego e outros seis sesmeiros, a doação de terras do sesmeiro João Fernandes Vieira, sendo assim fundada a povoação de Cimbres (então chamada Monte Alegre). Na segunda metade do século XVIII a povoação de Cimbres/Monte Alegre é credenciada como Freguesia passando a atrair população, negócios, e abrigando toda a administração pública da região do agreste e sertão. Em 1814, a Ouvidoria que funcionava na Vila de Cimbres, em Pesqueira, transfere-se para o local. A partir de 1825, a população passa a pressionar as autoridades para que o Brejo se transforme, também, em vila. O requerimento, no entanto, seria atendido em 1833. Passou a ser município autônomo em 1879.

Entre os anos de 1836 e 1852 foi projetada e construída a Casa de Câmara e Cadeia do Brejo. O projeto teve participação do francês Louis Lèger Vauthier. O imóvel apresenta volumetria simples e coberta de quatro águas, com beirais de telhas tríplices. Sua arquitetura remete a tipologias do Período Colonial sendo composta por dois volumes justapostos, com acessos independentes, tendo em anexo uma construção de menor porte, térrea. Localizado na rua Maestro Tomás de Almeida Maciel, n° 60 é tombado, e atualmente administrado, pelo Estado de Pernambuco por meio do Decreto n° 8.698, de 27 de julho de 1983.

Com topografia ligeiramente acidentada, o centro da cidade é uma grande praça e um dos poucos espaços planos, de onde partem, quase que radialmente, inúmeras ladeiras entrecortadas por ruas, becos e vielas, dentre elas a Rua de São José que faz a ligação do centro com a Igreja Matriz de São José e onde está localizado o Museu do Brejo.

O referido imóvel é tombado pelo Estado de Pernambuco por meio do Decreto n° 46.145 de 13 de junho de 2018. Trata-se de uma casa remanescente do século XIX, com a fachada principal e fachadas laterais quase inteiramente revestidas de azulejos portugueses, dispondo de oito compartimentos no térreo e cinco compartimentos no primeiro andar. Começou a funcionar em fevereiro de 1977 como o Museu Sobrado Colonial, sendo conhecido desde 1991 como o Museu Histórico do Brejo da Madre de Deus. Este imóvel teria sido construído em 1854 com uso originalmente residencial. Sua construção é atribuída, pelo padre Frederico Bezerra Maciel, ao Dr. José do Rego Couto Maciel, conhecido como Cazuzinha, formado em engenharia.

O casario do centro histórico se destaca não pela qualidade individual das suas edificações, mas, pela harmonia de seu conjunto. Remete a alguns modelos arquitetônicos observados nos centros históricos importantes de Pernambuco, característicos dos séculos XIX e primeira metade do século XX, ainda que de forma simplificada. O conjunto possui maioria dos imóveis com um pavimento, fachada construída na divisa da calçada, sem recuos laterais e coberta em duas águas. Seus atributos decorrem de padrões de construção da época, que determinaram os tipos de coberta, vãos, ornatos, e formas de ocupação no lote. Ainda é possível identificar casarões coloniais azulejados e pinhas do porto de porcelana.

Uma medida importante para a preservação do sítio histórico foi a elaboração do Plano de Preservação de Brejo da Madre de Deus, realizado em 2010 pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco – FUNDARPE. Foi ele que definiu o perímetro de tombamento da cidade e determinou as chamadas Zona Histórica de Preservação Rigorosa – ZHPR e a Zona Histórica de Entorno – ZHE. Atualmente é o instrumento utilizado pela Fundarpe como referência para a análise dos projetos de intervenção, pois elenca os parâmetros normativos de intervenção para as supracitadas zonas. A ideia da Fundarpe é que o documento seja incorporado como anexo do Plano Diretor da Cidade.

De acordo com o Plano de Preservação, o centro urbano tradicional da Cidade do Brejo da Madre de Deus se manteve sem grandes alterações até a sua indicação para proteção pela FIAM, na década de 1970. Na época, o município se destacava como grande produtor de cenoura, conservando ainda, percentual maior da sua população na zona rural. A cidade, no período da construção do Plano vivia um “boom” de crescimento, até os dias atuais encontra-se submetida a um aumento populacional crescente e a uma dinâmica urbana emergente.

Recentemente, o Decreto Nº 50.527 de 12 de abril de 2021, homologou a Resolução nº 15, de 3 de outubro de 2019, do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural do Estado de Pernambuco, que, na ocasião, deliberou pelo tombamento do centro histórico do Brejo da Madre de Deus por conta do valor histórico, arquitetônico e ambiental.

TRIUNFO

HISTÓRICO

A Cidade de Triunfo está localizada na região de desenvolvimento do Sertão do Pajeú, distante a 444 quilômetros do Recife e a 1.004 metros de altitude. Juntamente com Serra Talhada, Santa Cruz da Baixa Verde e São Jose do Belmonte, formam a Rota do Cangaço e Lampião. Os habitantes primitivos da Serra da Baixa Verde, antiga denominação de Triunfo, no final do século XVIII, eram os índios Cariris, nessa época fixa residência no local o Frei Vital da Penha, que montou um aldeamento com os índios que vieram com ele. No início do século XIX, quem assume o seu lugar de missionário é o Frei Ângelo Maurício Niza, responsável por fazer construir em 1812, uma capelinha na Baixa Verde, sob a invocação de Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade até os dias de hoje. A Igreja passou por algumas obras, em 1907 foi inaugurada pelo vigário Monsenhor Vicente Sóter de Alencar, que havia demolido por completo o antigo templo. A última grande obra sofrida pela Matriz foi iniciada pelo Monsenhor Eliseu Duarte Diniz em 1926, permanecendo como tal até os dias atuais.


A povoação de Triunfo, anteriormente denominada Baixa Verde, foi elevada à categoria de Vila em 1872, quando se desmembrou do município de Flores, de Vila foi elevada à condição de Cidade e Sede do município pela lei provincial nº 1805, de 13/06/1884. O nome triunfo teve origem do resultado de uma luta entre a poderosa família dos Campos Velhos da Cidade de Flores, com os habitantes da povoação da Baixa Verde. Por motivos comerciais deu-se início a uma relação de atrito que se tornou uma guerra vencida pela povoação da Baixa Verde, após esse episódio os vencedores mudaram o nome da comunidade para Triunfo.

 
Na segunda metade do século XIX e início do século XX, Triunfo figurava como centro econômico e abastecedor da região. Plantação de café, engenhos de açúcar, fábricas de rapadura, de cachaça, de doce, de tecidos além do intenso comércio de finos produtos importados que vinham de trem até Arcoverde e eram transportados serra acima sobre o lombo de burros, promovendo um intenso intercâmbio comercial com os municípios e estados vizinhos. Em 1938, um grupo de nove madres franciscanas alemãs, que fugiam da Segunda Guerra Mundial, chegaram à cidade. As madres se tornaram responsáveis pela criação e administração do Colégio Stella Maris que em pouco tempo se tornou referência de educação no sertão pernambucano, suas atividades foram encerradas no ano de 2004.

Na entrada do município está localizado o Açude João Barbosa, um dos principais cartões-postais e um dos componentes da unidade de paisagem central do centro histórico que se formou no seu entorno, o açude começou a ser construído em 1850. Em uma das suas margens identificamos o Cine Teatro Guarany que se destaca na paisagem pela sua volumetria e pelas suas cores, sua construção foi iniciada em 1919 e teve o primeiro espetáculo apresentado em 1922. O Cine Teatro foi tombado como patrimônio cultural do Estado de Pernambuco por meio do decreto estadual 13.091 de 18 de julho de 1988, sendo inscrito no livro de tombo de monumentos e edifícios isolados.

Nas ruas estreitas e com fachadas coloridas estão as casas do final do século XIX, influenciadas por tendências de escolas variadas, teu seu estilo denominado eclético, com influências da art déco e art nouveau e ainda tem particularidades como fachadas com portas e janelas em profusão. Um passo importante à sua preservação foi a implantação da Lei Municipal Nº 740/87 que torna Patrimônio Arquitetônico do Município, as fachadas em estilo antigo, de prédios localizados no perímetro urbano, em ruas do centro da cidade. A lei específica individualmente todas as edificações que são consideradas Patrimônio Arquitetônico. Outra importante medida para a preservação foi a instituição do Plano Diretor de Desenvolvimento do Município de Triunfo como instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão urbana. Em específico, o ANEXO IV do Plano se debruça sobre os elementos representativos do patrimônio construído na zona urbana do município, mais especificamente no seu núcleo histórico, embora faça ressalva de elementos importantes na zona rural. Tomou como referência a listagem dos cento e trinta e um imóveis cujas fachadas foram consideradas Patrimônio Arquitetônico do Município através da já citada lei 740/87. O Plano define que a maioria dessas edificações são unifamiliares de apenas um pavimento com fachadas adornadas, ainda mais valorizadas quando se evidencia uma interpretação local dos elementos característicos da época de construção.

O Plano Diretor criou uma ZEPNH – Zona Especial de Preservação do Núcleo Histórico que abrange todo o antigo núcleo histórico, o açude e suas margens. Este núcleo compreende um conjunto edificado de relevante valor histórico-arquitetônico e cultural, significativo para a manutenção da identidade e da memória local, contando ainda com elementos urbanos de relevante expressão artística, histórica e paisagística. No interior desta Zona, são aplicadas normas mais rígidas em relação à conservação da fachada, manutenção da volumetria das edificações definidas pelas fachadas, empenas do telhado e coberta, limitação do gabarito objetivando a manutenção da escala da cidade e dos lotes adjacentes, conservação dos materiais construtivos, de revestimento, de vedação dos vãos (portas e janelas) e da coberta (telha cerâmica) das edificações, além da proibição de demolição das casas antigas.

Triunfo hoje conta com 17 (dezessete) imóveis especiais de preservação – IEP, alguns deles estão localizados na ZEPNH, outros em áreas de entorno, sendo eles: Igreja Matriz, Prédio da antiga Casa de Câmara e Cadeia – atual Fórum Dr. Caeté de Medeiros, Sobrado de nº 34 – antigo prédio dos Correios e Telégrafos, Sobrado n.º 18, com fachada azulejada, na Praça XV de novembro, Casa n.º 02 na esquina com a Rua João Capité, Prédio do Museu do Cangaço na Praça Elizeu Diniz, Sobrados n.º 271 e n.º 140 na Rua Manoel Pereira Lima, Prédio da antiga Casa de Força, Castelinho, na Rua Padre Ibiapina, Prédio do antigo Matadouro, Capela Nossa Senhora do Rosário, Prédio da antiga Cadeia Pública na Rua Tenente Siqueira Campos, Casarão n.º 12 da Rua José Cordeiro de Lima, Casa de Paulo de Alcelina, na Rua da Saudade, Colégio Stella Maris, Convento de São Boa Ventura com Ossuário do Frei Fernando e Lar Santa Elizabeth na Av. Frei Fernando, Casa das Almas, Casa Grande da Fazenda Bela Vista. A Cidade de Triunfo encontra-se em processo de tombamento estadual iniciado em 29 de março de 2010, assegurando a este o regime de bens tombados até sua inscrição definitiva no competente Livro de Tombo, conforme estabelece a Lei 7970/79 e o Decreto 6239/80.